CÔA MUSEUM | Vale do Côa . 2004

ENG

The Côa Museum begins with the recognition of the exceptional

character of the Côa Valley, understood not as a backdrop but

as an active condition of the intervention. From the outset, the

architecture establishes a precise reading of the landscape, in

which human expression emerges from the interaction

between the site’s tectonic force and the individual impulse to

inscribe meaning.

The landscape constitutes the foundation of the building, just

as it does for the rock engravings themselves. The rock

surfaces, as supports for human inscription, establish a direct

parallel between nature and art, blurring the boundary

between natural object and cultural artefact. The museum

therefore operates as a continuation of this logic of

incorporation rather than as an autonomous architectural

object.

The project also acknowledges the existing built traces within

the territory. On the site, property boundary walls are

understood as markers of human intervention, detached from

formal intent yet fundamental to the reading of the landscape.

These walls are reinterpreted as the structural axis of the

museological route, organising the visitor’s movement through

the site. In this way, the museum is conceived as a territorial

sequence, in which architecture, ground and memory are

articulated into a continuous system of movement and

perception.

PT

O Museu do Côa parte do reconhecimento do carácter

excepcional do Vale do Côa, entendido não como cenário, mas

como condição activa da intervenção. A arquitectura estabelece

uma leitura precisa da paisagem, onde a expressão humana

resulta da interacção entre a força telúrica do lugar e a

necessidade de inscrição cultural do indivíduo.

A paisagem constitui o fundamento do edifício, tal como o é

das próprias gravuras rupestres. As superfícies rochosas,

enquanto suporte de inscrição humana, estabelecem um

paralelismo directo entre natureza e arte, tornando difusa a

fronteira entre o objecto natural e o objecto cultural. O museu

surge, assim, como continuidade dessa lógica de incorporação,

mais do que como um objecto autónomo.

O projecto reconhece igualmente as marcas construídas

existentes no território. No local de intervenção, os muros de

divisão de propriedade assumem-se como vestígios de uma

longa ocupação humana, independentes de qualquer intenção

formal, mas determinantes na leitura do lugar.

Estes muros são recuperados como eixo estruturante do

percurso museológico, organizando a deslocação do visitante no

território. O museu constrói-se, assim, como um percurso

inscrito na paisagem, onde a arquitetura atua como

instrumento de leitura do lugar, mais do que como um objeto

isolado.

Design year

2004

Location

Foz Côa, Portugal

Team

Jorge Sousa Santos, Eliana Sousa Santos, Mário Crespo

Client

Public architecture competition

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